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O relógio oculto: quanto tempo realmente duram os chips RFID?

2025-10-30 09:48:18

LONDRES – Desde o rastreamento de um pacote em todo o mundo até a concessão de acesso a um prédio de escritórios, a tecnologia de identificação por radiofrequência (RFID) está integrada na estrutura da vida moderna. Mas uma questão crítica muitas vezes não é respondida pelos usuários finais: qual é a vida útil desses chips onipresentes? A resposta, dizem os especialistas, não é um simples número, mas uma equação complexa de design, ambiente e aplicação.

Ao contrário dos dispositivos com fonte de alimentação finita, a longevidade de uma etiqueta RFID é determinada principalmente pelo seu tipo. A variedade mais comum, as etiquetas RFID passivas, não possuem bateria interna. Eles são alimentados inteiramente pela energia das ondas de rádio de um leitor. Sua vida útil é essencialmente a durabilidade do microchip e da antena.

“Com RFID passivo, estamos frequentemente falando de décadas de vida funcional, normalmente 20 anos ou mais”, explica a Dra. Eleanor Vance, cientista de materiais da Universidade de Sheffield. “O ponto de falha raramente é o próprio chip de silício, mas a conexão com a antena ou a degradação física da antena devido ao estresse ambiental.”

Esses fatores ambientais são os verdadeiros “assassinos do tempo de vida”. Temperaturas extremas, umidade, exposição aos raios UV e abrasão física podem quebrar os materiais da etiqueta muito antes de o chip falhar. Por exemplo, uma etiqueta RFID embutida em um pilar de concreto provavelmente durará mais que o edifício, enquanto uma etiqueta em um equipamento de fabricação sujeito a vibração constante e exposição a produtos químicos pode falhar em alguns anos.

A história é diferente para etiquetas RFID ativas e passivas assistidas por bateria (BAP), que contêm uma fonte de energia interna.

“As etiquetas ativas estão em contagem regressiva”, diz Mark Higgins, CTO de uma empresa de rastreamento logístico. “Sua vida útil está diretamente ligada à bateria, geralmente entre 3 a 8 anos. Quando a bateria acabar, a etiqueta estará essencialmente descarregada. As etiquetas BAP têm uma vida útil de bateria mais longa do que as etiquetas ativas, já que a bateria só alimenta o chip quando ativada por um leitor, mas ainda enfrentam a mesma limitação final."

Essa variação na vida útil tem implicações significativas em todos os setores.

  • Cadeia de suprimentos e logística: As empresas que dependem de RFID para rastreamento de ativos reutilizáveis precisam de etiquetas que possam durar centenas de viagens. A durabilidade é fundamental.

  • Controle de acesso e crachás de identificação: Essas etiquetas passivas são projetadas para anos de uso diário, mas danos físicos causados por dobras ou quedas continuam sendo uma causa comum de falha.

  • Saúde: As pulseiras RFID para identificação de pacientes são projetadas para uso único e de curto prazo para evitar contaminação cruzada, com vida útil medida em dias ou semanas.

A busca por uma etiqueta RFID mais longa e resistente está impulsionando a inovação. Os pesquisadores estão desenvolvendo etiquetas usando substratos flexíveis e duráveis ​​e técnicas aprimoradas de encapsulamento para proteger os componentes delicados. Alguns estão até explorando RFID sem chip e etiquetas biodegradáveis ​​totalmente impressas para aplicações específicas de curto prazo.

“O objetivo é tornar a tecnologia tão invisível e confiável quanto o código de barras, mas com o poder dos dados sem fio”, acrescenta o Dr. Vance. "Compreender o "relógio oculto" dentro de cada chip RFID é o primeiro passo no projeto de sistemas que não sejam apenas inteligentes, mas também sustentáveis ​​e confiáveis ​​a longo prazo."

Tanto para empresas quanto para consumidores, a principal lição é combinar as especificações da etiqueta com o uso pretendido. A vida útil não é um mistério; é uma especificação que, quando escolhida com sabedoria, garante a operação perfeita do mundo conectado.